INQUÉRITO - Região Centro apresenta resultados positivos em saúde pública
Entre sete regiões
analisadas no âmbito do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF), o
Centro do país apresenta alguns dos melhores «indicadores» nacionais, mas que
também mostram que há trabalho a fazer, nomeadamente em questões de prevenção e
de factores de risco.
Realizado pelo Instituto
Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, em colaboração com as administrações
regionais de saúde (ARS), o estudo epidemiológico concretizou-se em 2015 com
avaliação de 4.911 pessoas, com idades entre os 25 e os 74 anos. Em observação
estiveram o estado de saúde, com especial incidência na diabetes, hipertensão
arterial e obesidade, mas também a avaliação de determinantes de saúde, como
consumo regular de vegetais e frutas, mas igualmente de factores de risco como
tabagismo e sedentarismo. Em equação estiveram também os cuidados preventivos,
num inquérito que conformou os resultados com o grau de escolaridade e situação
profissional dos intervenientes no INSEF.
Em relação à diabetes e à
hipertensão (com prevalência nacional de 9,8 e 36%, respectivamente), o Centro
ocupa, nas sete regiões, a sexta posição, ou seja, os segundos melhores lugares
(com prevalência de 8,7 e 35,8%). Na obesidade surge em quinto lugar. Tal como
no resto do país, os resultados na região Centro estão relacionados com o nível
de escolaridade e a situação laboral, agravando-se nos casos de desemprego e de
baixa formação.
Reforçar
a prevenção
Nas questões relacionadas
com os determinantes de saúde, o Centro apresenta a maior prevalência de consumo
diário de vegetais e o segundo lugar no consumo de fruta. O sedentarismo, de
33,8%, é bem inferior à média nacional (44,8%), com a região Centro a revelar
também, entre as regiões avaliadas, o mais baixo consumo de tabaco na população
masculina (23,9%) e o segundo menor na população feminina (11,8%).
Em relação à prevenção, a
região Centro tem a prevalência mais elevada de rastreio ao cancro da mama
(98,7%), com a média nacional a ficar nos 94,8%. Em sentido inverso, o Centro
apresenta um dos piores resultados no rastreio do cancro do cólon e do recto,
com apenas 20,8% da população com idade entre os 50 e os 74 anos a realizar o
exame nos últimos dois anos.
No final da apresentação dos
dados do INSEF, que decorreu no IPO de Coimbra, João Pedro Pimentel registou os
indicadores «estimulantes mas também
responsabilizantes» que se verificam na região, associando-os ao trabalho
de décadas dos profissionais de saúde. O director do Departamento de Saúde
Pública da ARS do Centro apontou «questões
que urge melhorar» e se o rastreio do cancro da mama «está consolidado», no colo do útero já não é assim, embora,
revelou, a cobertura tenha melhorado com mudanças de método. Também o rastreio
ao cancro do cólon e do recto deverá passar por uma mudança de método, com o responsável
a afirmar que a ARS do Centro tudo fará para que o rastreio se alargue, em
2018, a toda a região.
Carlos Matias Dias,
coordenador geral do INSEF, chamou a atenção para os gradientes sociais
(desemprego, escolaridade) e a influência que têm nos indicadores de saúde,
antes de desafiar o Centro a partilhar o que faz com as outras regiões.
Para Fernando Almeida,
presidente do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, melhorar os
resultados exige o envolvimento de autarquias e instituições, da sociedade
civil, porque se ficam à espera só do Ministério da Saúde «vai haver dificuldades».
Fonte DC

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