MEMÓRIAS - A propósito do MODA LORVÃO 2015, recorde-se um concurso de beleza em 1921
“Nos anos
20, a mulher assumiu uma atitude moderna e na maioria das vezes causou espanto
com as suas atitudes consideradas avançadas para o seu tempo”. Estamos na época
conhecida por “Anos Loucos”, fenómeno que registou contornos mais marcantes ao nível das elites
sociais do mundo ocidental.
No entanto,
imaginemo-nos em Lorvão no ano de 1921. Não terá havido desfile organizado, tal
como vai acontecer amanhã no I Grande Desfile de Moda. Todavia, a beleza feminina, quer natural, quer potenciada
pelo vestuário e adereços, são notas
comuns às duas iniciativas.
Naquele ano,
em finais de Julho, o jornal da terra “O Progresso Lorvanense” lançou um “Concurso de Beleza”, imagine-se! Bem longe dos meios de votação através da
internet, o que é certo é que os votos foram chegando à redacção do jornal
dirigido por Joaquim Rosa da Silva.
Noticiava-se a 31 de Julho de 1921: “Muito nos honra o
amável acolhimento ao nosso concurso de beleza . Ainda apenas uma semana há que
ele foi aberto e já recebeu 72 votos”
Foi no jornal de 7 de Agosto, no número
29, que se publicitaram os resultados.E quem foi considerada a “rainha da beleza da freguesia”? Nem
mais nem menos que a “menina Alice”, de seu apelido Henriques, que obteve 88 votos. Seguiram-se-lhe Clementina Simões com
63, Deolinda Tomé com 11, Francelina Casimira
com 6, Aurora da Rosária com 2, Palmira
Tomé com 4, Luz da Rosária com 2 e, por fim, Lúcia da
Cruz com apenas 1 voto.
A terminar
este breve apontamento recordemos uma
quadra que reflecte um pouco este ambiente de alguma
sedução. Faz parte de uma poesia de sabor popular dedicada a Lorvão, escrita
por Manuel d’Almeida (que pressupomos
ser um lorvanense) e publicada por
aquelas alturas no “Progresso”:
FOSTE
NAMORADA FIEL E PACIENTE
TESTEMUNHA
MUDA E PRUDENTE
DE
ENTREVISTAS NOCTíVAGAS, AMOROSAS
E
DE BEIJINHOS POR BOCAS SEQUIOSAS
Uma viagem no tempo que está ao alcance
da imaginação de cada um de nós...
David Almeida
