Preço e escassez de lampreia preocupam pescadores
Pescadores artesanais da lampreia queixam-se da falta de pescado, mas os restaurantes contrariam o cenário.
Os pescadores da pesca artesanal
alegam que este ano falta lampreia no rio Mondego e que é vendida barata, mas
os restaurantes da cidade não concordam. «No rio, há muito pouca lampreia. Eles
(os restaurantes) têm de ir buscar a outro lado, devem vir do Norte, do Minho
ou do Douro», disse à Lusa Alexandre Carvalho, pescador e proprietário de
embarcações de pesca artesanal.
Apesar desta alegada falta, os preços
ao pescador estão em baixa. «Não há lampreia, mas os preços estão baixos.
Vende-se a 15 euros cada uma, não se percebe isto», desabafou, adiantando que é adquirida
por intermediários, «um ou dois, que compram a grande parte e vão ganhar mais
do dobro», disse.
Já no caso do sável, Alexandre
Carvalho assume que «há mais», mas que está a ser comprado em quantidade por
comerciantes do Norte, indicando como exemplo, a safra de sábado, em que o
sável «saiu da lota a preços entre os 6,40 euros», tendo alguns lotes sido vendidos
a um máximo de 1,5 euros. «Mas, depois, vende-se no Norte a mais de 20 euros por
quilo», argumentou.
Mário Esteves, principal promotor
do Festival do Sável e da Lampreia assegura que «há lampreia» e que esta é
proveniente do rio Mondego. «Não tenho tido dificuldade, falei com três
fornecedores e garantiram-me que não há dificuldade no fornecimento. Ainda hoje
comprei 18, com a garantia que são do Mondego», afirmou.
O empresário paga, em média «20 a
25 euros mais IVA por uma boa lampreia grande» e recusa exemplares médios e pequenos
«que são pouco mais do que uma enguia e não servem, porque a lampreia precisa
de uma boa posta». Adiantou que o Festival tem preços mínimos e máximos
tabelados, que variam entre os 52,5
a 60 euros para uma lampreia «que dá para três ou quatro
pessoas», ficando a dose entre os 15
a 17,5 euros. Já o sável varia entre os 10 a 12,5 euros a dose.
Também José Alberto Dias alega
que a lampreia não escasseia, mas, apesar de também ter um restaurante, não vai
participar no evento, considerando o modelo «completamente esgotado». «Não
sinto falta de lampreia nenhuma.
Este ano já vendi umas 90. Compro
directamente ao pescador há mais de dez anos», esclareceu. Por esta altura, a
lampreia é adquirida a 20 euros o exemplar e o sável a 10 euros o quilo e chega
à mesa a preços mais ou menos idênticos, mas por dose. «Mas a diferença é que damos
cinco postas por dose.
No caso de uma boa lampreia, dá
para duas pessoas e mais qualquer coisa», frisou. DC
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