ILUSTRES (DES)CONHECIDOS: Joaquim Maria Leite (1829-1896)
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Na sessão de 4 de Janeiro daquele
ano, a Câmara Municipal, presidida por Daniel Silva, deliberou atribuir ao
Largo do Cruzeiro a designação de “Largo do Deão Leite”. “Como público testemunho de gratidão pelos relevantes
serviços prestados ao concelho de Penacova e como homenagem ao grande talento
de alguns dos seus filhos - verdadeiras glórias nacionais” foram na mesma data atribuídas outras denominações toponímicas
na vila: Rua Conselheiro Alípio Leitão, Rua Conselheiro Barjona de Freitas, Rua
Conselheiro Fernando de Mello, Rua Arcediago Alves Mendes, Rua Dr. Paiva Pitta
e Largo Dr. Joaquim Correia. [1]
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Aspectos do Largo Deão Leite e da Rua Conselheiro. Fernando de Melo |
Joaquim Maria Leite nasceu há 190 anos (Julho de 1829). Foi baptizado pelo Prior Francisco Correia de Almeida tendo como padrinhos o Doutor Joaquim Correia de Almeida e sua mulher, Maria do
Santo Nome. No ano lectivo 1848/49 vamos
encontrar Joaquim Maria Leite em Coimbra no 2º ano de Teologia. Dez anos mais tarde,
também o seu irmão José Maria irá frequentar o mesmo curso, quando Fernando de Mello
estudava Medicina e Alves Mendes frequentava o Liceu. Na época era professor da
Universidade João Crisóstomo de Amorim Pessoa. Joaquim Maria foi seu aluno e
quando aquele catedrático de Teologia foi nomeado Arcebispo de Goa e Patriarca
das Índias (1862/63), convidou o seu pupilo para seu secretário pessoal.
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Seminário do Chorão - Goa |
Mas,
em Goa, Joaquim Maria Leite foi mais do que um mero “administrativo”. Foi professor
de Ciências Eclesiásticas[3]
e Reitor do Seminário do Chorão (Bicholin), além de Chantre da Sé Primacial de
Goa. Quando Amorim Pessoa chegou à Índia procurou elevar o nível da formação
eclesiástica, reformando os estudos e centralizando-os naquele Seminário. Como reitor,
“colocou o Bacharel Joaquim Maria Leite, Chantre da Sé” – conforme refere a “História
de Goa” de Manuel Saldanha. O Dicionário Bibliográfico Português, de Inocêncio
Silva, regista a obra deste penacovense, impressa em 1868: “Sermão de S.
Francisco Xavier, Apóstolo das Índias: pregado no dia 3 de Agosto de 1864 na
Igreja do bom-Jesus de Goa”.
Por motivo de doença teve de deixar
a Índia, sendo pouco depois convidado para Professor do Liceu da Guarda, onde
chegou a Reitor. Nesta cidade integrou o Cabido da Sé, não só na qualidade de
Cónego mas também de Cónego-Deão. Daí, o conhecido atributo de “Deão Leite”. Naquela
cidade da Beira Alta presidiu à Comissão para fundar o Asilo da Mendicidade.
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Sé da Guarda |
Joaquim Maria Leite ocupou, mesmo
que por pouco tempo, por motivos de saúde, o cargo de Deputado por Penacova.
Terá mesmo apresentado nas Cortes um projecto de lei para que o Mosteiro de
Lorvão passasse a ser considerado Monumento Nacional, o que veio a acontecer,
como sabemos, em 1910.
Acabou os seus dias em Penacova,
onde viveu alguns anos, paralítico, vitimado pelo reumatismo gotoso, ajudando
os necessitados e recebendo muitas visitas (era “um conversador muito
instrutivo”, no dizer do Dr. José Albino Ferreira). “Com a sua doença muito
perdeu Penacova”- escreveu noutra ocasião este penacovense.
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Campa de Joaquim Maria Leite no cemitério da Eirinha |
[1] A rua
Dr. Paiva Pitta, hoje inexistente, não se sabe porquê, vinha substituir a Rua
da Costa do Sol. Por sua vez, o Largo Dr. Joaquim Correia, ficava em frente da
porta principal da Igreja.
[2] Virá
desta família o uso do apelido Leite por terras de Penacova. O Major Santos
Leite terá sido um dos descendentes.
[3] No Seminário
de Rachol, instituição da Companhia de Jesus, se formaram alguns dos mais
brilhantes sacerdotes da Índia. Este seminário teve uma das primeiras
tipografias da Ásia.
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