CIÊNCIA VIVA - O céu de fevereiro de 2020
O ano de 2020 é um ano bissexto, isto é, fevereiro tem 29
dias e o ano tem 366 dias. Os anos bissextos foram introduzidos porque uma
translação da Terra à volta do Sol (ou seja, um ano) dura aproximadamente 365
dias e 6 horas (365,25 dias). Por isso a cada 4 anos “falta” um dia, que é
acrescentado em todos os anos divisíveis por 4.
Mas o ano dura 365,242190 dias, o que significa que, ao
acrescentar um dia a cada quatro anos, de quando em quando há um dia a mais que
tem de ser retirado. Assim, os anos divisíveis por 100 não são bissextos. Mas
mesmo isso não dá exatamente um ano de 365,242190 dias e por isso é preciso uma
correção à correção da correção…
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O céu às 20:00 do dia 6 de fevereiro 2020. A Lua quase cheia está no meio da constelação dos Gémeos, pouco acima da constelação de Orion (Imagem: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium) |
Resumindo, são bissextos todos os anos divisíveis por 4,
exceto os divisíveis por 100, que não são bissextos, exceto os divisíveis por
400, que voltam a ser bissextos.
Também já devem ter reparado que os dias estão a ficar
maiores. O Sol amanhece cada vez mais cedo e anoitece cada vez mais tarde. Se
no dia 1 o Sol no Porto nasceu às 07:46 e se pôs às 17:41, no dia 29 irá nascer
às 07:10 e pôr-se às 18:25. Ou seja, só durante fevereiro, ganhamos 1h20min de
luz do dia (no Porto – há algumas diferenças de Norte para Sul e para as
ilhas).
Quanto ao céu, durante este mês (e durante a maior parte do
primeiro semestre de 2020), a partir do pôr-do-sol temos a companhia da “super
estrela” da tarde, o planeta Vénus. Não há que enganar – é o primeiro objeto
que se vê (sem ser a Lua), virado a Sudoeste, assim que o céu começa a diminuir
de brilho.
Já Saturno volta a ser visível, agora ao amanhecer. Embora
já esteja acima do horizonte, no início do mês está ainda próximo do Sol, por
isso é mais fácil procurá-lo só a partir do meio/fim do mês.
No dia 6 a Lua quase cheia está na constelação de gémeos. Na
mitologia grega, os gémeos são Castor e Pólux (e sem qualquer coincidência,
estas são também as estrelas mais brilhantes da constelação).
Apesar de gémeos,
Castor é filho de Tíndaro, rei de Esparta, enquanto Pólux é filho de Zeus.
Quando Castor morreu, o irmão pediu ao seu pai para lhe conceber imortalidade e
Zeus colocou-os ambos juntos no céu.
Dia 9 é dia de lua cheia. No dia seguinte Mercúrio está na
maior elongação (ou seja, mais afastado do Sol, no céu). Infelizmente Mercúrio
nunca se afasta muito do Sol e por isso vê-se a uns 15 graus acima do
horizonte, por baixo de Vénus, ao anoitecer.
Dia 15 a Lua atinge o quarto minguante. E ao amanhecer dos
dias 18 e 20 deste mês, aproveitem para ver vários objetos do Sistema Solar a
formar uma linha no céu. Dia 18 a Lua está a 3 graus do planeta Marte; no dia
seguinte está a 6 graus “atrás” de Júpiter (e a cerca de 9 graus “à frente” de
Marte); no dia 20 está a menos de 4 graus “atrás” de Saturno (e a cerca de 6
graus “à frente” de Júpiter).
Dia 23 a Lua atinge a fase de lua nova e praticamente a
terminar o mês, no dia 27, um fino crescente da Lua passa a menos de 6 graus de
Vénus, ao anoitecer.
Boas observações.
Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de
Astrofísica e Ciências do Espaço)
Figura 1: O céu às 20:00 do dia 6 de fevereiro 2020. A Lua
quase cheia está no meio da constelação dos Gémeos, pouco acima da constelação
de Orion (Imagem: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium)
Figura 2: O céu ao amanhecer do dia 19 de fevereiro de 2020,
virado a Sudoeste. Saturno, Júpiter, a Lua e Marte estão em alinhamento
(aparente) no céu, na constelação de Sagitário. (Imagem: Ricardo Cardoso
Reis/Stellarium)
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